Subscribe Now

Trending News

08 Dez 2019

Encontros | John Travolta
Encontros

Encontros | John Travolta 

Um tipo que gosta de abraçar

Já entrevistei John Travolta várias vezes. Comecei a conhecer bem os contornos do seu implante capilar ao longo dos anos. A estrela de Grease e de Pulp Fiction foi sempre alguém que exerceu em mim um fascínio genuíno. Um fascínio daqueles que não se explica, talvez porque cresci com a sua imagem de verdadeira grande estrela de Hollywood. Um ator que na minha infância simbolizava um imaginário de sonho americano.
E Travolta, goste-se ou não, sempre esteve no topo da cadeia de Hollywood. O meu primeiro contacto foi com Grease/Brilhantina, de Randall Kleiser, objeto que teimosamente sempre resistiu ao tempo.
Em Cannes, este ano, num encontro para um pequeno grupo de jornalistas europeus, trauteava-me a  melodia da balada que cantava em Grease com Olivia Newton John. É alguém que não tem medo de ser autêntico (podemos pensar que é coisa rara em Hollywood mas não é bem assim).

No final desse encontro, à boa maneira da Cientologia, despediu-se com um valente abraço. Isso sim, é raro: estrelas de Hollywood que gostam de tocar nos jornalistas.
Claro que nem tudo o que tem feito como ator é louvável, antes pelo contrário. O seu grau de cabotinice ultrapassa todos os limites em Gotti- O Verdadeiro Padrinho Americano, de Kevin Williamson. O filme era fraquinho mas a tentativa de Travolta fazer expressões graves não convence nem um cego. Pior era ainda o seu ar de mauzão em Killing Season- Temporada de Caça, de Mark Steven Johnson, onde dava vida a um militar sérvio de sotaque bera a tentar matar o pobre do Robert De Niro. Por essas e por outras, faça-se macumba e descubram um novo filme forte para um segundo comeback.

O primeiro foi com o maravilhoso Pulp Fiction, de Tarantino. O seu Vincent tornou-se imortal e ainda hoje é usado como meme na net (nesta última conversa que tive com ele, confessou-me que é “na boa” isso de ser cromo de giffs). Tive a oportunidade de estar com Travolta numa ação de promoção da sequela de  Get Shorty, de Barry Sonnenfeld, o não tão bom Jogos Mais Perigosos, de F. Gary Gray, filme que ainda aproveitava esse seu renovado estado de graça. Devo confessar que o apanhei em excelente forma: feliz, sorridente e com respostas sorridentes.

Outra das particularidades de Travolta ao vivo é a forma como olha olhos nos olhos. Gosto disso. Quando em 2007 estive a entrevistá-lo nesse esquecível Porcos e Selvagens, de Walt Becker, o seu “thank you so much, Rui” entrou em divertido duelo com o meu “thank you, John”. “No, thank YOU, Rui”, ganhou ele.

Mas, para mim, o Travolta com carisma de movie star é o de Blow Up, do Brian De Palma. Impossível também não admitir que o seu número de “over the top” resulta que nem ginjas em Face/Off, de John Woo. Impossível! E teremos sempre de fazer mil vénias ao seu talento de coolness em Operação Flecha Quebrada, do mesmo John Woo…

Gosto do John, ponto final.

Related posts

Deixe uma resposta

Required fields are marked *