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20 Jul 2019

‘Pedro e Inês’ – Entrevista ao realizador António Ferreira
Entrevistas

‘Pedro e Inês’ – Entrevista ao realizador António Ferreira 

“O filme parece muito maior para o dinheiro que tínhamos!”

Cineasta que descobrimos em Respirar (Debaixo de Água), filme seminal do cinema português em 2000. Depois vieram Esquece Tudo o Que Te Disse e Embargo. Pedro e Inês é o seu mais recente filme. Um épico romântico em três tempos: passado, presente e futuro. Ou três maneiras de sentir a nossa história de amor mais macabra de sempre. Pedro e Inês é uma adaptação livre de A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria.

Quem sair deste filme vai pensar que viu uma produção milionária. Não falta uma escala que mete muitos figurantes, meios e efeitos visuais, mas, na verdade, não tiveram um orçamento assim tão grande. Podemos falar em boa gestão de produção?

Sim, não tivemos mesmo um orçamento de milhões! E é verdade: o filme parece muito maior para o dinheiro que tínhamos! Mas também faz parte da função de um realizador conseguir tirar o máximo de sumo do seu fruto. Sou bom nisso porque sou produtor e tenho noção das dificuldades de produção. Sei se não fizer essa optimização fico a perder em tempo.

Filmaste com uma câmara Panavision, coisa rara no cinema português…

Sim, tivemos esse oportunidade, em parte devido à relação de produção do filme com a França, que financeiramente abriu-nos o acesso à Panavision. Devo referir que até pediram o currículo do nosso diretor de fotografia – parece que eles não metem as lentes nas mãos de qualquer pessoa. O diretor de fotografia, o Paulo Castilho, e eu falámos muito. Tínhamos uma série de premissas, entre as quais filmar com fogo verdadeiro e até fabricámos velas especiais. Há cenas basicamente iluminadas com luz de vela! O filme visualmente é o que é devido a todas essas decisões.

Quando estive na rodagem pude reparar que dirigias os atores com uma imensa serenidade. Podemos concluir que és um realizador que gosta de estar com os atores?

Ai! Comigo tudo gira em torno dos atores! Por isso, gasto tempo a escolher atores – tirando a Custódia Galego, que gosto de repetir, vão sempre aparecendo novas pessoas nos meus filmes. O meu método de trabalhar é o seguinte: chego ao plateau e não sei como vou filmar, onde vou colocar a câmara ou quantos planos vou fazer.  Isso deixa a equipa um pouco em sobressalto…Tudo isso porque preciso saber com os atores o que eles vão fazer. São eles que me dizem como vão interpretar a cena. Tem de haver um clima de confiança e nós falámos muito antes do filme arrancar. Quando as filmagens arrancaram já estávamos bem sintonizados. Na verdade, não lhes precisei de dizer muito…Muitas vezes propunham-me coisas e eu apenas dizia mais para aqui ou para lá e a cena seguia. Eu ia muito atrás dos atores e é aí que decido onde meto a câmara.

Muita gente não vai estar à espera que o filme tenha um lado tão visceral e mesmo… “gore”.

Ó pá, a história original tem contornos “gore”! É que aconteceu mesmo tudo isto e o D. Pedro gostava mesmo de sangue…Não ia estar a suavizar isso para o filme quanto mais não seja porque o que é mais incrível nesta história passa pelos seus contornos macabros.

Pois, e o título internacional é A Rainha Morte- The Dead Queen…

Exato! E exprime bastante bem o que é o filme. Mas, depois, o outro desafio, era as cenas do presente e do futuro não serem frouxas. Uma das preocupações que tive foi manter a mesma intensidade nas várias épocas ao longo de todo o filme.

 

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