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22 Set 2021

O Movimento das Coisas é mesmo o mais belo dos tesouros do nosso cinema
Antestreia

O Movimento das Coisas é mesmo o mais belo dos tesouros do nosso cinema 

O Movimento das Coisas, de Manuela Serra (dia 17 em Lisboa, Coimbra e Porto)

 

Saudades de um outro cinema

Depois de recuperado, masterizado e aclamado no Festival Lumiére, em Lyon, chega finalmente aos cinemas um filme de 1985 que era visto por muitos como “coisa rara e mítica”. Um documentário supostamente etnográfico sobre Lanheses, aldeia remota do concelho de Viana do Castelo. Documentário? Manda a prudência pensar talvez em objeto do real com dispositivos de pesquisa experimental. Além da câmara seguir as mulheres da aldeia, há um olhar sobre essa matéria tão única que é o “holy grail” da ruralidade portuguesa, entre o telúrico e o gesto humano português.

Tudo menos um mero hype ou capricho cinéfilo, O Movimento das Coisas é um ato de amor às famílias de Lanheses. Entre as brumas e alvoradas deste cantinho minhoto há mesmo esse olhar feminino, intuição que é capaz de expandir o gesto como fragmento da vida – da beleza portuguesa ao canto da terra.

Manuela fez uma fábula movida a flauta de Zé Mário Branco que nos dá o território do conto. São imagens que nos devolvem uma liberdade do olhar, uma lança nos nossos dias, sobretudo quando vemos putos a filmar o espaço rural sem ideias e todos da mesma forma e em chapa-cinco do turismo etnográfico.

Provavelmente o mais imponente filme português dos anos 80. Mas é preciso ficar até ao fim do genérico: não temos surpresa Marvel mas há um plano que perturba e com contundência profética. Bravo à The Stone and The Plot por ter tido a coragem desta descoberta…

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