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26 Ago 2019

Entrevista a Wayne Roberts – Exclusivo nacional
Entrevistas

Entrevista a Wayne Roberts – Exclusivo nacional 

“ Sou um pessimista e este é um filme com um assunto delicado!”

Entrevista no Festival de Zurique ao realizador de Adeus, Professor, estreia desta semana. Um melodrama sobre um professor (Johnny Depp) que decide mudar de comportamento após descobrir que tem uma doença terminal.

 

Este é um filme sobre um homem que valoriza o aproveitar todo e qualquer momento. Depois de acabar a rodagem sente que ficou transformado?

Fazer um filme muda-me sempre. Mudou-me como homem e como artista.

Há uma tradição de filmes com professores “inspiradores”. Sente que este Adeus, Professor cai na família de obras como Mr. Holland Opus ou O Clube dos Poetas Mortos?

Aqui é diferente! Este professor tem a atitude de mandar tudo para o “caralho”. A personagem de Johnny Depp é alguém que apenas quer viver para si mesmo já que não tem tempo. No começo, é alguém que se despede da vida de forma muito pouco saudável!

 

Mas não pensou nesses filmes?

Não, não. Pensei apenas neste professor, o meu Richard, alguém que está a pensar na sua morte. Quis fazer uma coisa diferente.

 

Deve ter sido complicado fazer o pitch para uma história de um tipo que vai morrer…

Mas esse é o problema de todos os meus filmes. Sou um pessimista e este é um filme com um assunto delicado. Tenho também um outro projeto sobre uma mulher que desenvolve Alzheimer muito cedo. Esse também é de difícil venda, um potencial “blockbuster”…(risos) É muito difícil sobreviver nesta indústria! E nesta altura, com o regime Trump, torna-se difícil perceber onde isto vai parar. Por um lado, há uma apetência para filmes mais liberais…

Por outro lado, Hollywood pode querer começar a fazer filmes mais dentro da lógica do sistema Trump…

Não percebo ainda…

Como geriu o trabalho de construção da personagem com Johnny Depp? Foi através de leituras ou ensaios?

Eu e o Johnny desenvolvemos um laço muito forte, mas também não sou adepto das leituras nem tivemos tempo para isso. O que vemos foi tudo conseguido com a câmara. Se não estivesse bem, fazíamos mais um ou dois “takes”. Acho que conseguimos criar um “plateau” calmo e muito íntimo. A cena em que o Richard se despede da filha foi num ambiente no “plateau” o mais minimalista possível. Quis dar intimidade total aos atores e apenas estavam uma quatro ou cinco pessoas. Gosto bastante disso. Quem não era preciso estar ali tinha mesmo a entrada vedada.

 

Há atores que acham que um bom realizador tem se saber representar para depois poder dirigir. Acredita nessa teoria?

Nunca tentei nem vou tentar representar.


Mas não seria útil?

Percebo essa escola de pensamento mas o meu método é outro. Combino um processo de intuição de experiência com algo de engenharia…Seja como for, sou um cineasta que gosta de atores. Acho que um ator está numa posição muito difícil. Num filme são aqueles que têm mais coragem.

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