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29 Set 2020

Desabafos de um escravo de cinema
Conversas de Crítico

Desabafos de um escravo de cinema 

Mais um ano, mais uma vez o impacto da cerimónia dos Óscares prestes a ser menor. A longa mediatização da caminhada da temporada dos prémios está a esvaziar o suspense dos prémios da Academia. Nesta altura, se não houver surpresas é lógico que se 1917 for o grande vencedor da noite de dia 9 e se Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Laura Dern e Renée Zelwegger forem os escolhidos, surge uma previsibilidade que pode ser fatal. Depois dos BAFTA, SAG’s e Golden Globes, tudo o que não seja esse desfecho seria um oásis de surpresa dos bons. E é de surpresas que gostamos nos Óscares, nem que seja através de uma troca de envelopes. Os Óscares precisam disso.

E ainda a propósito dos Óscares, causa-me tristeza a decisão de não estrearem em Portugal Um Amigo Extraordinário/A Beautiful Day in the Neighborhood, de Marielle Heller, cuja nomeação de Tom Hanks como ator secundário, não foi suficiente para o nosso mercado acreditar neste belo filme. Claro que podem argumentar que pouca gente cá sabe quem é Fred Rogers, o ídolo da televisão americana que o filme descreve, mas sou dos que acredito que os valores emocionais do filme são universais. Acredito também que seriam muitos a querer ver a espantosa transformação de Hanks. Já no ano passado, Marielle Heller tinha visto o seu Can you Ever Forgive Me/Memórias de Uma Falsificadora Literária ter o mesmo destino. Asseguro-vos que está aqui uma das mais interessantes mulheres a filmar em Hollywood. A distribuição em Portugal também não quer saber do cinema no feminino…

De Berlim chegam notícias da seleção oficial e é possível ficar as esfregar as mãos com a inclusão de Kelly Reichardt e Abel Ferrara na competição e de Bora Lá, da Pixar, na Berlinale Special. Mesmo assim, sente-se que é um festival refém da crescente calendarização do próprio mercado, que prefere prestar vassalagem a festivais como Cannes, Toronto ou Veneza. Ainda assim, ao contrário de certos anos, esta edição pouco ou nada aposta nos filmes com mais estampa de Sundance. Será já a nova marca do novo direto Carlo Chastrian?

O que é verdade é com que esta seleção começamos a poder imaginar o que Cannes pode trazer. Nesta altura, já seria enorme desilusão se The French Dispatch, de Wes Anderson, Annette, de Leos Carax ou Bergman Island, de Mia Hansen-Love não marcassem presença na Croisette.

Para a semana conto ir às celebrações dos 3 anos do Trindade no Porto. Além de ser um dos meus cinemas preferidos, continua a funcionar como um festival de 365 dias. Nestas celebrações, as duas salas de Américo Santos oferecem uma programação de luxo, com uma série de antestreias de luxo e a presença garantida de Albert Serra que vem apresentar Liberté. Há ainda um foco em torno de Karim Ainouz, cineasta brasileiro que para a outra semana estreia em Portugal o muito belo A Vida Invisível. Um aniversário que é um presente aos cinéfilos do Porto, por estes dias bem melhor servidos que os lisboetas. Nesta altura, as salas do Trindade fazem verdadeiro serviço público.

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