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29 Set 2020

Desabafos de um Escravo de Cinema
Conversas de Crítico

Desabafos de um Escravo de Cinema 

O desconfinamento nos cinemas, dizem-me, está a correr com números simpáticos. Os cinemas vão abrindo a conta gotas e algumas das estreias ainda não são as desejadas…As distribuidoras ainda não sabem o que fazer e a incerteza é compreensível, mesmo quando os maiores exibidores continuem a olhar para o mercado português como uma mera grelha de consumo. Até Tenet, o grande lançamento da Warner, a ordem é esperar…Óbvio que filmes como Os Tradutores, de Regis Roinsard ou O Meu Espião, de Peter Segal, acabem por ser provetas mal tratadas. Só é pena que ninguém tenha coragem de acreditar que filmes como Proxima- O Espaço Entre Nós, de Alice Winecour, Military Wives, de Peter Cataneo ou Wasp Network- Rede de Espiões, de Olivier Assayas, podiam fazer carreiras interessantes se os seus lançamentos não vivessem à sombra da ditadura marketing “ready made” vindo dos estúdios de Hollywood. Pois, estes filmes europeus podiam fazer números muito superiores aos tais filmes com embalagem de “major”. Podiam mas isso dá um trabalhão…

Quanto ao desconfinamento dos festivais, a palavra de ordem é o receio. Mas é bom ver como o Festival de Avanca se pôs a mexer de forma prematura e garante uma edição que até vai incluir workshops ou que um festival pequeno como o FICLO, em Olhão, acabará por ser o primeiro já em Julho e sem dependência dos zooms e outras virtualidades. Festivais como o Indie, o DocLisboa e o Curtas mudaram as datas e já estão com as edições em marcha.Vamos ver como o Lusobrasileiro de Santa Maria da Feira e outros regressam…

Curioso também como o mercado vai reagir à saída do catálogo da Fox para a NOS, agora intitulado 20th Century Studios. O poderia da maior distribuidora portuguesa pareceria beliscado com a saída da Universal para a Cinemundo, agora volta a estar fortíssimo. Independentemente de tudo, a Disney continua a mandar nisto tudo. Acredito firmemente que o espírito da Fox acabe por ficar mais “corporate” nesta fase de absorção da Disney. É pena, cresci sempre com aquela impressão que a Fox era a “major” mais destemida. A Disneyficação só não é total porque a Netflix está em alta e porque na Warner ainda há quem mande a pensar que o cinema comercial é feito por cineastas totais. Espero que Tenet, de Chistopher Nolan, não me desminta e me deixe a falar para o boneco, neste caso o Rato Mickey…

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