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19 Set 2019

David Lynch – Ficamos diferentes depois de conviver com este tipo
Encontros

David Lynch – Ficamos diferentes depois de conviver com este tipo 

David Lynch. Quando voltar ao cinema vai voltar a ser o meu cineasta preferido. O homem que nos deu Um Coração Selvagem e Veludo Azul é um deus, uma lenda maior do que o cinema moderno, um santo em forma de demónio.

Quando o entrevistei pela primeira vez em Cannes na altura de Mulholand Drive senti uma sensação especial, talvez ao nível de um encontro com um emissário de um estado irreal de perceção. No Hotel Carlton, aquele do anúncio do perfume Egoíste, ele falava com as mãos, sorria imenso. Foi das entrevistas da minha vida e foi extraordinária a maneira como me colocou à vontade.

Alguns anos depois, encontro em Berlim numa round-table com outros fãs disfarçados de jornalistas. Não tivemos medo, mas o pretexto era Inland Empire, filme que metia respeito e reinventava as coordenadas do mistério, mesmo para o seu cinema.

Depois, em Portugal, no Estoril. O produtor português Paulo Branco deu-me presente impagável: orientar uma masterclasse dele no Centro de Congressos do Estoril para o Leffest (na altura eu tinha a honra de ser do comité de seleção e prometiam-me uma fortuna). Lynch só queria falar de meditação transcendental, fumar e beber cafés, mas era sempre de uma simpatia terrível. O Miguel Ângelo, músico pop, foi uma das testemunhas de um momento impagável perto do Centro de Congressos, quando o cineasta foi uma espécie de testemunha de um ato místico de meditação transcendental. Vi no seu olhar um brilho que era de génio.

Mais tarde, em 2017, cruzei-me numa festa com ele. Ele e o seu cabelo, ele e o seu sorriso envelhecido mas sempre próximo do seu encanto “pop star”. E nessa festa estavam Will Smith, Pedro Almodóvar e Jessica Chastain, mas todos queriam cumprimentar David Lynch.

Perguntam-me muitas vezes se fico “starstrucked” quando estou ao pé dele, mas digo sempre que é para além disso. Estar perto de Lynch é querer-lhe fazer mais perguntas, é querer estar ao lado dessa sua faísca de génio. E génios há tão poucos…

Se sou fã? Sou mais do que isso, vou com ele até onde o cinema ( e a série Twin Peaks era cinema) dele  me levar…

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