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28 Out 2020

28º Curtas Vila do Conde- 5 pérolas
Conversas de Crítico

28º Curtas Vila do Conde- 5 pérolas 

5 Pérolas do Curtas Vila do Conde

Num ano em que a competição nacional foi bem boa, aqui ficam cinco pérolas da visita relâmpago ao Curtas 2020, festival que respeitou as regras anti-Covid19, opôs-se à Olsberg SPI no plano do Governo para a transposição da diretiva europeia do audiovisual para a lei do cinema e audiovisual e soube celebrar o cinema e sua grande diversidade…

CATAVENTO, de João Rosas

 

 

Sequela de Maria do Mar, uma espécie de acompanhamento à Boyhood (de Linklater) do crescimento de um adolescente. Agora, Nicolau tem um verão mais adulto, entre o tédio e as conquistas amorosas. Uma betinha de Cascais sai-lhe na rifa ao mesmo tempo que tem de encontrar uma vocação académica.

Comédia gentil sobre o futuro que nos assusta, Catavento tem uma suavidade própria de uma tarde de verão à cata de um primeiro beijo. O gesto de cinema de Rosas está mais assertivo e sereno. É um snapshot de uma memória de um peso romântico poderoso. Bate muito forte…

Úrsula, de Eduardo Brito

http://www.eduardobrito.pt/ursula.html

 

Depois de Declive, o vimaranense Eduardo Brito viaja até aos confins do Ártico para um filme-texto com meia dúzia de planos belíssimos. É coisa simples, onde se conta o relato de um homem que sonhou ser mulher. Um conto narrado pela voz genial de Ricardo Vaz Trindade a fazer lembrar o melhor Gonçalo M. Tavares. O espaço do sonho transcrito por uma vontade de nos fazer mergulhar no escuro.

Um Fio de Baba Escarlate, de Carlos Conceição

 

http://festival.curtas.pt/programa/2020/competicao/nacional/2/?id=2020063

59 minutos de cores garridas, cinema com tusa e uma explosão de cartoon. É assim que o cineasta angolano Carlos Conceição conta a história de um serial killer a contas com a exposição triunfante nas redes sociais depois de ter beijado uma jovem suicidária na noite lisboeta.

Um Fio de Baba Escarlate pode ser algo longo, mas é afirmação de um cineasta que testa os limites do género (a homenagem ao cinema “giallo” italiano é feita com sentimento) e dos formatos. E Joana Ribeiro multiplicada é equação gloriosa.

O Nosso Reino, de Luís Costa

 

A partir de valter hugo mãe, partimos para um reino de casas em granito onde se subentende que a morte anda à solta. A partir daí a câmara segue uma criança a vaguear sozinha numa paisagem fantasmática. Mete medo? Sim, aquele medo que é construído pelo espantoso design de som e por um olhar encantatório que logo de caras permite ter a certeza que Luís Costa é cineasta. Que bela supresa.

Elo, de Alexandra Ramires

 

A melhor animação que apanhei em Vila do Conde. Filme de uma minúcia e de uma beleza plástica raras. Um encontro surreal numa floresta entre um homem com cabeça pequena e uma mulher de cabeça grande e corpo pequeno. Metáfora à singularidade do defeito, Elo é de uma bizarria aberta ao onírico. Faz-nos sonhar, levitar e apaixonar. É um daqueles filmes que à saída talvez nos modifique um pouco para melhor. É só deixarmo-nos levar por esta poesia sem palavras de Regina Guimarães e e Alexandra Ramires…

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